O sabor do doce parecia com aquelas delícias feitas pela minha avó, e que em um dia como hoje, enquanto ela mexia o pé de moleque, eu e meus irmãos brigávamos para ver quem ia raspar a panela.
Além do doce, ai aquele cheirinho de açúcar queimado...hummmm.
E a paciência da minha avó ao recolher ‘balinhas de açúcar’, quando o mesmo começava a derreter. Lembro de cheiro, do gosto e de cada momento bom.
Enfim, minha memória é tão boa que eu me lembro de tudo. Lembro frases dos filmes aos quais eu assisti há anos, lembro da roupa que as pessoas usavam no dia em que as conheci, lembro de cada data, cada dia, cada gesto.Lembro de cada palavra que me dizem e da expressão no rosto de quem as pronunciou.
Falando em lembrança, como não fazer uma sessão ‘remember’ de coisas que jamais deveriam acabar: minha avó, cheiro de doce no ar, tarde fria com bolinho de chuva, sessão da tarde com o filme ‘Curtindo a vida adoidado‘, férias escolares, Xou da Xuxa, Smurfs, Bozo, Castelo Rá Tchim Bum, Bambalalão, amarelinha na rua, esconde-esconde, polícia e ladrão, mãe da lata (esta brincadeira era da turma da minha rua), casinha com minha mãe (mas eu era a mãe e ela minha filha), patins, bicicleta, Lítero, bailinhos, nossaaaaaaaaaa....se for listar tudo não termino hoje.
Lembro de tudo de bom que vivi. Lembro também de tudo que não foi tão bom assim, mas me fez mais forte. E vou ficando assim...com a memória lotada, o coração apertado e um desejo incontrolável de lembrar sempre e sempre.
Beijocas

Angra/outubro/ 2001